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Alguma política, bastante cultura, divergências várias, três conspiradores, muitas mulheres... Uma só conspiração.
Comentários, pedradas, opiniões, ameaças, e tudo o mais deve ser enviado para o_complot@hotmail.com BLOGS DE INTERESSE PARA CA DO MURO A Cagada A Causa Foi Modificada A Coluna Infame Bomba Inteligente Contra a Corrente De Direita O Comprometido Espectador Fumacas Liberdade De Expressao Blogue Dos Marretas Mar Salgado O Intermitente Picuinhices Portal Claudio Tellez Traducao Simultanea Valete Fratres! Voz Do Deserto Flor De Obsessao Dicionario Do Diabo Abrupto Jaquinzinhos No Quinto Dos Imperios JP Coutinho PARA LA DO MURO Blog De Esquerda Barnabé A Praia Cruzes Canhoto Linhas De Esquerda O Pais Relativo De Esquerda Soda Caustica DESALINHADOS E VARIADOS A Espada Relativa O Projecto Conta Corrente Conversas de Cafe Venda-se! Desejo Casar Aviz Fora Da Lei Ponto e Virgula Socio[b]logue BLOGS GIROS DE MIUDAS GIRAS Vastulec Sem Querer Penso Cronicas Matinais O Meu Umbigo Bomba Inteligente Blog da Papoila CULTURANDO E CULTIVANDO O ESPIRITO Blogaris E A Cultura, Estupido Guerra Civil Espanhola Bicho Escala Estantes Estudos Sobre o Comunismo Ford Mustang A Memoria Inventada Espigas ao Vento QUEREIS RIR? A Cagada O Meu Pipi Gato Fedorento O Pudim Flamejante UNIAO DOS BLOGUES LIVRES Archives |
Segunda-feira, Fevereiro 23, 2004
Prezados leitores: Servem as presentes linhas para anunciar a suspensão deste blog. Durante os próximos tempos vamos aproveitar para reflectir sobre o destino deste espaço. Manter um blog, como sabem, dá bastante trabalho. Crescer à luz da blogosfera é perigoso também. Os blogs são uma coisa óptima, um fenómeno interessantíssimo - mas que pode ser nocivo a seres em formação como nós. Por outro lado, chega de desculpas acerca da fraquíssima produção dos últimos tempos. Vamos aproveitar para parar (uma semana, um mês, um ano?), organizar as nossas vidinhas, tomar pulso à blogosfera - e quando formarmos uma decisão, comunicaremos. Até lá, bem hajam. We'll be around. João Negrão Miguel Câmara Pedro Robalo O fim da Obsessão: Dou por mim a perguntar-me: que falta vai fazer o blog do Pedro Lomba, Flor de Obsessão, à blogosfera? Dou por mim assustado com a resposta: nenhuma. É verdade, o blog do Pedro não vai fazer falta nenhuma à blogosfera. Se a coisa se passasse há coisa de meses, a história seria outra. Mas a blogosfera cresceu, está mais forte - e inexoravelmente mais diluída também. A mim, e a outros, o blog do Pedro vai fazer muita falta. É tempo de dar espaço à sinceridade: o Pedro era o meu blogger favorito. Um tipo sensato, desconfiado no bom sentido, dotado de uma sensibilidade que não alardeava. Revia-me em grande parte das suas reflexões; rendia-me à sua sinceridade pungente e desarmante. E a ironia: envernizada, simplesmente. É com pena que vejo desaparecer o Flor de Obsessão. Mas sei que o Pedro faz a melhor opção. Na blogosfera, as nossas opções são sempre as melhores. É isso que faz dela um espaço de incomensurável liberdade. Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
Tolkien: Perante o que a autora deste blog escreve sobre Tolkien, pergunto me se ela leu os livros? Atenção: ainda não tive oportunidade ver o terceiro filme. Quanto a existirem referências no filme a seja o que for digo-lhe que está enganada. Tolkien escreveu que não gostava da alegoria e que o que os seus textos continham era aplicabilidade, sendo assim, é normal que as adaptações da obra para cinema também o tenham. Quanto a Tolkien ser um misógino, mais uma vez se engana. Primeiro convém explicar que Tolkien inspirou-se muito na sociedade e mitologia nórdica, como sabe, os nórdicos eram dos poucos povos cujas mulheres combatiam ao lado dos homens e que tem heroínas de guerra nas suas lendas. Éowyn é uma verdadeira heroína, no segundo volume combate ao lado dos homens e no terceiro mata o senhor dos Nazgul. Outras personagens femininas importantes e indispensáveis são Galadriel e Arwen. Fazer de Aragorn, Gandalf, Frodo ou Gollum mulher era o mesmo que numa adaptação dos Lusíadas ao grande ecrã transformar o povo lusitano em espanhóis. Tolkien pode ser um autor menor para si mas em diversas votações no Reino Unido o Senhor dos Anéis foi considerado o melhor livro do século passado. A contextualização social, histórica, mitológica, politica, geografia, linguística, biológica, étc do épico é suficiente para muitas décadas de estudo. Provavelmente os seus posts eram a gozar, mas, nos dias que correm, nunca se sabe. Cinema: Fui ver O Último Samurai. As semelhanças com o filme Lord Jim (uma adaptação do romance de Conrad de 1965 com Peter O´Toole), que tive oportunidade ver há uns meses no canal Hollywood, são notórias. Já o final remete-nos para o Brave Hearth. Portanto, nada de novo. Um homem atormentado por acções passadas dá por ele a defender um povo que aparentemente nada lhe diz respeito, mas que proporcionou as condições para que ele se insurgisse contra os fantasmas do seu passado. Tom Cruise representa muito bem esse homem. No início levamos com alguns monólogos foleiros e ficamos assustados, mas rapidamente percebemos que foi um falso alarme e que estamos perante um épico completo cuja história é bem contada. Embora as cenas de batalhas sejam bastante boas, não só de zaragatas é esta fita feita, é difícil não ser invadido por uma nostalgia de algo que nunca se teve ou sentir um convulsão saudosista. Concluindo, estamos perante a oportunidade de ver na grande tela uma daquelas histórias que deviam ser verdadeiras. ![]() Enjoo: Na Sic Mulher Francisco Louça conversa com Simone de Oliveira. Isto sim, é juntar o mau ao péssimo. Comer e Beber: Saborear um prato bem confeccionado e/ou um bom vinho é uma experiência que iguala a de ouvir uma bela sinfonia, é uma mescla de sensações agradáveis que as palavras teimam em não conseguir descrever. Boris Vian concordava comigo e imaginou uma máquina maravilhosa, o pianocktail, uma invenção genial que a cada nota fazia corresponder uma bebida ou substância aromática e que ainda apresentava a possibilidade de ajustar o valor da unidade consoante a duração da melodia. Já muitas vezes pensei em postar aqui receitas deliciosas, mas acabei por nunca o fazer. Para quando um blog de um cozinheiro que nos ensine a preparar iguarias de comer e chorar e por mais? O Estado da Conjura: Os conspiradores esforçam-se para se reunirem para decidir o futuro da cabala. Para fazer tempo deixo aqui uns posts maquinalmente escritos. Sexta-feira, Janeiro 09, 2004
2003's greatest beats: Sem mais delongas, aqui fica a minha selecção do que valeu a pena em 2003, melomanamente falando: Rock e quejandos: 1 - Blur - Think Tank 2 - The Rapture - Echoes 3 - The Thrills - So Much For The City 4 - The White Stripes - Elephant 5 - The Go-Betweens - Bright Yellow Bright Orange Electrónica e quejandos: 1 - Ursula Rucker - Silver or Lead 2 - Madlib - Shades of Blue 3 - Two Banks of Four - Three Street Worlds 4 - Luomo - Present Lover 5 - Audio Bullys - Ego War Guilty Pleasure do ano: Junior Senior - D-D-D-D-Dont stop the beat Por agora, não comento. Se tiver tempo acrecento justificações sumárias. BD: Por ocasião do Natal ofereceram-me a “História de Portugal em Banda Desenhada”. Uma obra tão medíocre que irrita. Esta obra ambiciosa propõe-se a contar oito séculos de história de Portugal. Mas como diz o povo, e bem, “quem tudo quer, tudo perde”. Os autores gastam páginas e páginas com épocas pouco importantes e por vezes não dedicam mais que uma vinheta a acontecimentos importantes. As ilustrações podem estar historicamente rigorosas mas a qualidade do desenho deixa muito a desejar. Muitas personagens históricas surgem, sem qualquer (ou muito fraca) contextualização ou explicação, somente com uma fala. Algumas citações não são atribuídas. O hino nacional, na última página, está incompleto. Mas o que mais me desagradou foi que não fiquei com a impressão de que somos um povo de bravos e valentes, antes pelo contrário, retive a ideia duma alcateia de pérfidos e gananciosos. Não é assim que os nossos petizes devem aprender história e, digo mais, idealmente, nos primeiro anos, a história nacional devia ser ensinada como um mito. É assim que me lembro dos primeiros anos de história, todos os nomes decorados pertenciam a homens ousados de feituras míticas. E é assim que gosto de recordar. História de Portugal em Banda Desenhada - A. Do Carmo Reis e José Garcês – Edições ASA – ISBN 972-41-3657-4 . Ler o Expresso: Ouço rumores acerca do contrato milionário que Pereira Coutinho firmou com o Expresso. Altura mais que propícia para a intelectualidade dos paços vilipendiar o semanário ensacado. E que dizem os doutos? Que o Expresso é boçal e inane, enfadonho e especulativo. E que é exorbitantemente caro. Uma chatice. Compro, todas as semanas, a expensas da minha delgada semanada, um único semanário generalista: O Independente. O Expresso, esse, vem cá parar a casa. Invariavelmente. Como semanário noticioso e de opinião, O Independente, apesar das limitações que lhe reconhecemos, bate o Expresso aos pontos. O primeiro caderno do Expresso é uma verdadeira desgraça. Desorganizado, sensacionalista, pouco objectivo, de assento senatorial - o que lhe quiserem chamar. O segudo caderno não lhe fica atrás. A Única, outrora Revista, é um desfile de coisas tão grotescas como desinteressantes, bebendo influências directas na escola Caras e Super Interessante. Mas será que tudo isto me faz querer engrossar as fileiras da guerrilha-militante anti-Expresso? Será que vale o embargo? Claro que não. Apesar de todos os defeitos, o Expresso apresenta duas ou três preciosidades. Primeira: a Actual, outrora Cartaz. Amigos, que publicação portuguesa reúne, em tão reduzido número de páginas a cultura que interessa escrita por quem sabe? Lá fora há melhor, dir-me-ão. De acordo - mas não será fácil de encontrar. Segunda preciosidade: o Guia da Semana. Versátil, completo e inventivo. Indispensável. A terceira preciosidade: o saco de plástico. Pelo formato. Não há sacos com aquele formato à venda no mercado. E não é só: às sextas-feiras, o senhor da papelaria mete-me sempre o Público e o Independente num saco de Expresso das sobras. O que dá um jeitão do caraças... Ausência: Após as festividades massivas estava pronto para retomar a produção bloguistica. Mas não posso, o estudo ocupa quase todo o meu tempo e esgota-me intelectualmente. Em alturas destas não percebo como é que existem adultos que recordam a juventude com saudade. A verdade é que até inicio de Fevereiro não vou escrever quase nada. Até lá! Um grande bem-haja. Quarta-feira, Janeiro 07, 2004
Permanente para o séc. XXI Nas pistas de dança mais ecléticas, 2003 foi o ano do revivalismo 80's. Electro-pop, italo-disco, euro-pop-chunga - tudo valeu para afogar o malogrado artificialismo do fenómeno electroclash, já de si uma degeneração análoga. Chegámos ao ponto de várias pessoas respeitáveis assumirem em público a sua admiração pelos Duran Duran. Inqualificável. Vem isto a propósito da nova 2:. Atentos às últimas tendências, os rapazes da 5 de Outubro decidiram dotar a nova estação dos cenários mais retro que há memória e da iluminação mais bera à venda na Praça de Espanha. O resultado é uma tremenda dose de nostalgia revivalista - está de volta a RTP dos saudosos anos 80, com todo o amadorismo chic de então. Vendo bem as coisas, saudosismos destes podem revelar-se profícuos: quem nunca sonhou aplicar uma valente permanente ao Carlos Fino ou vestir um blusão de baseball à Alberta Marques Fernandes? Terça-feira, Janeiro 06, 2004
2: Arranca hoje a renovada RTP2. Provavelmente, o acontecimento televisivo do ano. Vou dar uma olhadela, para maledizer depois. 2003 vintage: Passadas as festas é tempo de outras lides. Pela minha parte abro o jogo: estou em exames e tenho pouco tempo para escrever. Mas vamos ao que interessa: os melhores de 2003, muito briefly. Hoje o Cinema, amanhã os discos, depois de amanhã o que vier. Melhores filmes do ano: 1 - Elephant, de Gus Van Sant - Quase noventa minutos de beleza audiovisual extravasante. Brutal e inteligente. Oxigénio no seu estado mais puro. 2 - A Última Hora, de Spike Lee - Um filme sobre a essência do american way of life (ainda que de forma obscura), que conseguiu, não casualmente, ser o único a captar o pulsar da Big Apple pós 11-IX. 3 - Dogville, de Lars Von Trier - O exercício mais perverso de 2003. Entre o teatro e o cinema, Von Trier apresenta um híbrido que se comporta como um verdadeiro laboratório de comportamentos. Dogville não é um filme - é um tratado de Filosofia. 4 - Dez, de Abbas Kiarostami - A câmara de Kiarostami não sai de dentro do carro de uma mulher iraniana, protagonista de dez «vinhetas» quotidianas. Apesar disso, diz mais sobre o Irão que dez documentários da BBC. 5 - Mystic River, de Clint Eastwood - Elegância e grandiosidade. Elegância na forma, de um classicismo exemplar. Grandiosidade dos temas e da construção das personagens. O melhor filme que vamos poder ver nos Óscares, digo eu. A desilusão: Zatôichi, de Takeshi Kitano - Kitano é dos meus cineastas preferidos, mas este filme de época completamente à deriva deixa imenso a desejar. Para quando mais um filme de yakuzas, old pal? Três referências ao ano cinematográfico: 1) a reposição do ano é «India Song», de Marguerite Duras. É difícil um filme ser mais «sensorial», mais palpável e tocante. Como disse João Lopes «India Song» é um daqueles filmes raros que, depois da sua descoberta, nos fazem crer que o mundo mudou à nossa volta. Sem dúvida. 2) falou-se bastante de Roger Dodger, de Dylan Kidd, uma produção americana independente sobre a arte do engate para a Manhattan do séc. XXI. O filme vê-se com bastante agrado, muito por culpa da excelente prestação de Campbell Scott. Mas para produção americana independente, passada em Manhattan (no Lower East Side, mais concretamente), sobre a arte do engate tivemos muito melhor: O Verão de Victor Vargas, filme estival bastante simpático e injustamente esquecido. 3) Adeus, Lenine!, de Wolfgang Becker, é o tipo de filme que pode salvar a indústria cinematográfica europeia. Sem grandes perfeccionismos, sem grandes pretensiosismos, enredo original mas linear - mas sem o insuportável moralismo happy end que a pipoca americana nos quer impigir. Segunda-feira, Janeiro 05, 2004
Ano novo, vida nova: O sporting deu-me a primeira grande alegria do ano. Três a um ao Benfica. Mais champanhe que a festa ainda não acabou. Terça-feira, Dezembro 30, 2003
A emissão segue dentro de momentos: Mais um silêncio tacitamente justificável. Perus para rechear, figuras do Menino por beijar e peúgas a desembrulhar mantiveram-nos bastamente ocupados. Vitupérios à quadra vigente e a lista dos melhores de 2003 serão publicados nos próximos dias (pelo menos antes do final de 2004). Bom ano! P.S. A despropósito: está disponível com a edição de hoje do jornal Blitz, pela (digamos) módica quantia de 14 euros, o livro Escrítica Pop de Miguel Esteves Cardoso. Quem não comprar é um ovo podre... Quarta-feira, Dezembro 17, 2003
Saddam substituiu Jesus à última da hora na capa da Time: Aos olhos de uma criança a diferença deve ser reduzida. É o espírito natalício. Terça-feira, Dezembro 16, 2003
Porcos em bandeja de prata: A pobreza do debate nas universidades portuguesas é algo que me entristece. Ou melhor: a sua ausência. O que é mais grave. Lá fora, a qualidade do debate nas (melhores) universidades assume patamares assustadores. À hora da refeição, durante as aulas, com professores, com alunos, sem complexos, com conhecimento de causa. Em Economia discute-se a política monetária norte-americana, em Medicina o genoma humano e em Astrofísica a órbita dos cometas. Com sinceridade e afinco, seja em que campo for. Nos estabelecimentos pátrios também se discute, mas outros assuntos: a prestação da selecção no último jogo, as pernas de uma colega, a assistente que se esqueceu do soutien, os melhores cadeados do mercado, a exorbitância das propinas e o eterno Sagres ou Super Bock. Tudo assuntos de máxima premência e para os quais deve haver espaço. De acordo. Mas que não deveriam consumir, por inteiro, os recursos intelectuais do nosso potencial capital humano... É de toda a gente, não é de ninguém: Excelente, a reflexão do Pedro Lomba: Em suma, não questiono a legitimidade e, muito menos, a sinceridade de quem aplaude a prisão de Saddam, mantendo uma posição crítica sobre a guerra. Mas há aqui uma vitória política. E essa, não pertence a todos. Quanto à reacção da esquerda à captura de Saddam, subentendida nas entrelinhas supracitadas, umas breves palavras. Poucos esquerdistas tiveram a coragem, ou o descaramento, de manifestar o descontentamento com o sucedido. Compreendo quem o fez, embora não o tolere. A coerência é uma virtude admirável, mas que partilha fronteiras com a perigosidade da teimosia arreigada. Quanto aos restantes, portadores de sorrisinhos amarelos e discursos dispersivos, tenho a plena noção de que só o politicamente correcto os pode levar a expressar júbilo pelo arresto do tirano. Especialmente os partidariamente comprometidos. Dentro dos partidos de esquerda portugueses ninguém quer arriscar golpes de sinceridade (tentativas de subversão da opinião pública foi chão que já deu uvas). O PS pelo que se sabe, o PCP por comodismo e o BE por conveniência. O habitual, nos últimos tempos. Dr. Garcia Pereira volte, sentimos a sua falta. Segunda-feira, Dezembro 15, 2003
De Como Os Americanos Ajudam Os Iraquianos E Outros Apontamentos: Para além de terem libertado o povo iraquiano de um tirano indescritível e seu regime totalitário e opressivo os americanos estão a ajudar o povo iraquiano de uma forma menos notória mas não menos importante. O povo iraquiano, com excepção dos kurdos, estava praticamente desprovido das suas identidades individuais e a sua identidade colectiva estava perversamente distorcida. As pessoas tinham medo de falar, medo de fazer, medo de pensar por si próprias. O ambiente era assustadoramente orwelliano, a informação que recebiam era escolhida e modificada como bem aprazia aos seus dirigentes. O culto da personalidade de Saddam era uma realidade. E neste ponto podem estar a pensar que estou somente a especular, mas continuem a ler. A presença americana funciona como hate target para muitos iraquianos e o facto de pensarem coisas menos simpáticas dos americanos e as expressarem já é significativo. Claro que a mudança é progressiva, as coisas nem sempre são bem feitas, os erros são de ambas as partes. Mas a verdade é que povo iraquiano está a perder o medo e isso é positivo. Este clima de contestação à presença de forças americanas é mais do que natural num povo que acabou de sair das garras de um regime que os governava (se assim se pode chamar ao que faziam) pela força. Da mesma forma funciona a presença americana a nível da identidade colectiva dos iraquianos. Enquanto povo, os iraquianos começam a ter noção daquilo que são, de quão rico é o seu país e de como o ocidente não é tão pérfido como lhes pregavam. Esperemos que a minha leitura seja correcta e que o Iraque caminhe para um futuro de liberdade, prosperidade e paz e que todos tenhamos aprendido alguma coisa com os erros do passado. Muita da logorreia que se vomitou por ai contava que os EUA não queriam mais do que sacar uns preciosos barris de petróleo e que depois abandonariam um povo indefeso a uma nova insurreição dum ditador ou partido fundamentalista. O bem-estar social e económico do Iraque é importante para o bem-estar social e económico do mundo. Não queremos sentir uma sombra, como a de Hussein, pairar sobre nós mais uma vez. Um Iraque amigo do ocidente pode significar toda uma nova aproximação entre ocidente e médio oriente. Se o acaso assim o quiser voltarei, a este tema. Cinema: Walt Disney, o criador de muitas das personagens que ocuparam, e ocupam, o meu imaginário morreu há trinta e seta anos. Fui ver o último filme da Disney, À Procura de Nemo. É um excelente filme, cheio de bom humor, com um enredo coerente e envolvente e cheio de lições velhas mas verdadeiras. Uma grande aventura dum peixe palhaço que faz o impossível para recuperar o filho que deve ser vista sem preconceitos. Os animadores da Pixar estão de parabéns por conseguirem imitar tão bem a realidade sem perder a magia da animação. Cimeira de Bruxelas: Durão Barroso queria acreditar que o consenso era possível, provavelmente não conseguiu. O consenso entre vinte e cinco países tão heterogéneos em algo como uma Constituição Europeia foi um sonho fugaz de alguns, e como um sonho fugaz esvaiu-se. Comentário Tardio à Captura de Saddam: Uma guerra que muitos criticaram e cuja defesa nos valeu, e a outros, o rótulo de fachos levou à captura de um dos maiores tiranos de sempre. Não esquecer que estamos a falar de um homem que deixava bebés morrerem para fazer propaganda, que assassinava em massa e que mandava torturar indiscriminadamente. Os pregadores do já moribundo discurso anti-americano perguntarão por Bin Laden. Por ora, ficarão sem resposta. Blair defende erroneamente que a captura de Hussein deve trazer paz ao povo iraquiano. No entanto ainda há muito que fazer e, verdade seja dita, o povo iraquiano só se vai sentir em paz quando o Iraque for um país livre sem a presença de forças estrangeiras. Bush diz-nos que Saddam “vai enfrentar a justiça que negou a milhões de iraquianos”, resta saber de que justiça estamos a falar. Consta que o monstro será julgado num Tribunal Especial Iraquiano, eu, na minha genuína ingenuidade, pergunto o que é isso. Pouco depois do discurso do Presidente Bush um carro armadilhado explode em Bagdad sem causar feridos ou mortes. Os defensores da causa Saddamita, seja lá o que isso for, defendem agora mais do que nunca uma vacuidade e estão condenados à deposição de armas, captura ou outros fins menos felizes. Nos próximos tempo prevejo muita esquerdalhada confusa, alguma discussão sobre a pena de morte e mais uns passos dados no penoso caminho da paz no Iraque. Hip hip hurra!: Em nome dos membros que compõem este blog desnaturado, expresso aqui e agora, veemente e explicitamente, o nosso regozijo pela captura de Saddam Hussein. As coisas serão mais fáceis daqui para a frente? Desconheço. Fez-se justiça? Ainda não. Far-se-á, espero. Quarta-feira, Dezembro 10, 2003
Uma Atrocidade: Um itálico do BdE cria (aqui) uma série de imagens chocantes representativas de alguns dos mais complexos problemas da sociedade actual e no fim culpa as pessoas de direita, as suas ideias, as suas opções políticas, as suas prioridades. O Autor do texto opta por não argumentar. Porquê argumentar? É mais fácil abalar as emoções de uma pessoa, e fazê-la sentir revolta. No entanto esquece-se que sejam quais forem as condições políticas existirão sempre pessoas que as aproveitarão para cometer atrocidades. Ou talvez pense que os criminosos de grande calibre não são maus, simplesmente as condições facilitavam a sua tarefa de tal modo que era impossível não cometerem crimes. Nem vou dar exemplos de regimes de esquerda que são eles próprios atrocidades, que praticam atrocidades ou nos quais são cometidas atrocidades. Apresento A Minha Irmã: Os rumores que correm das broeiras tascas às mais finas casas de chá são verdadeiros. A minha irmã tem um blog que, embora ainda em fase de parto, devem visitar. Declarações de amor devem ser enviadas para mim para que possa censurar as partes que bem entender antes que magoem os seus delicados olhos. Pedidos de casamento devem ser enviados tendo como anexo uma lista do património e dote para o irmão da noiva. Sigam para o kitoblog. Mea Culpa: Eu sabia que mais cedo ou mais tarde seria apanhado. A verdade é que não leio blogs, tenho uma assistente, que exploro pela força do capital, que passa o dia a ler blogs e me faz um resumo do que me pode interessar. Vem isto a propósito da admoestação publica que o Pedro me faz, e bem. Mas como raio poderia eu saber que ele completava nesse dia o seu trigésimo primeiro ano? Nesse dia consultei, como sempre, a minha enciclopédia de efemérides e tão notável acontecimento não estava referido, já levantei um processo à editora por danos morais. Só me resta pedir perdão e relembrar ao Pedro as sacras palavras de Efésios 4:32: Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo. Terça-feira, Dezembro 09, 2003
Pontadas que doem: A única coisa que dói mais do que ver a Fernanda Serrano a falar do bom português em que as novelas são escritas e faladas (as opiniões são como os olhos do ##, toda a gente tem uma) é vê-la a dar dois ou três pontapés na gramática logo após esta afirmação. Por outro lado, esses chutos tornam a afirmação lógica in a very twisted way. Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
Zero em Comportamento - uma ressalva: Confesso que não tenho navegado o bastante pela blogosfera. Desconhecia os comentários de vários blogs, ente eles este e este, ao que foi publicado no BdE e este post do Homem a Dias. Só para que não pensem que aproveitei a onda... Já agora, vale a pena lê-los. Zero em Comportamento: Os rumores foram confirmados: a Zero em Comportamento vai suspender a sua actividade. As razões, essas, estão patentes numa carta ao público disponível na página. Vale a pena ler. A oferta de cinema em Lisboa está longe, em quantidade e qualidade, daquela que vigora nas principais urbes europeias. O louvável trabalho da Zero no Cine-Estúdio 222 era um pingo de água num oceano cinéfilo rendido à lógica dos multiplexs e da pipoca doce. Nada que não seja do conhecimento geral. O que importa clarificar é: de quem é a culpa? Porque é que projectos culturais que não se coadunem com a lógica mainstream têm, à partida, uma esperança de vida curta? A resposta recorrente é a batidíssima «falta de apoios». Mais concretamente, subsídios. Que a Câmara ou o ICAM ou o Ministério da Cultura ou qualquer outra entidade deviam conceder. A culpa nunca morre solteira: casa-se sempre com alguma instituição cinzentona, burocrática e nepotista. Não alinho com este tipo de argumentos. Perdoem-me a arrogância, mas a culpa, caros amigos, é do público. Um público tacanho e analfabeto, por um lado, e vulnerável a modas e tendências, por outro. Os subsídios nada resolvem. Devido a uma incompreensível característica da oferta cinéfila menos convencional da cidade: os baixos preços. Reposições e películas desconhecidas nunca custam os 5 euros praticados na maioria dos cinemas. Estupida e incompreensivelmente, seja na Cinemateca, no Cine-Estúdio ou no Ávila. Um exemplo fictício para ilustrar o que quero dizer: a XPTO - Organização Cultural tem a seu cargo a programação de uma sala de cinema. Em média, vende 1000 bilhetes por semana, a 3 euros cada. Por semana, enfrenta custos na ordem dos 2800 euros, aos quais fazem face receitas de 3*1000=3000 euros. A XPTO pede um subsídio ao ICAM, que lhe é concedido. O subsídio cifra-se nos 2000 euros mensais - 500 euros semanais. A XPTO, obedecendo à tendência que acima referi, pensa em reduzir os preços, de forma a atrair mais público e fidelizar o que tem. Os bilhetes passam a custar menos 50 cêntimos - 500/1000. As receitas mantêm-se, e fazem face aos custos. Contudo, a procura de bilhetes não se altera, em virtude da sua fraca resposta à variação nos preços. A procura diz-se rígida - o que pode ser empiricamente constatado: sessões a 2 euros com 5/6 pessoas de afluência vs. sessões mais caras da cidade com lotação esgotada. Isto faz todo o sentido: o produto diferenciado enfrenta, em geral, procuras rígidas. Um Hitchcock, por exemplo, é um produto específico que, independentemente de custar 2 ou 5 euros, terá sempre uma assistência garantida. Em suma: parafraseando um conhecido ministro, seria preferível oferecer cópias em DVD aos parcos espectadores do que conceder dúbios subsídios. Claro que esses montantes podiam ser rentabilizados em estruturas que conciliassem qualidade e diversidade. Mas para tal convém ter alguma visão, coisa que não abunda por aí... Sexta-feira, Dezembro 05, 2003
Meu caro DBH, Não tenciono discutir mais esta temática. Fundamentou devidamente a sua opinião e como tal nada posso dizer. Felizmente, uma vez que não vivemos nem num regime fascista nem num regime comunista, podemos dar-nos ao luxo de discordar um do outro. Quanto ao seu final, tenho de lhe tirar o chapéu. "A minha opinião, pessoal, é de Prudência. Não acabar nunca com a possibilidade de uma Vida. Penso que isto responde à última pergunta." A resposta de um verdadeiro político. Um abraço Ainda a IVG: Sem me querer intrometer no debate em curso, queria deixar duas ou três notas: sou contra a legalização do aborto, por razões que pensei expor num post (que até estava feito e pronto a publicar, não fosse o quadro eléctrico dar o berro); talvez escreva qualquer coisita sobre o assunto, mas isso pouco importa; em relação às fotografias para as quais o Câmara fez link, apenas tenho a dizer que esse é o tipo de argumento que só convece néscios e desinstruídos. E não abona nada em favor da seriedade dos argumentos que tens defendido e que, grossa medida, são os que eu defendo também. Porque esse tipo de imagens só são usados em campanhas fundamentalistas e desesperadas. E tu e eu e quem partilha o nosso ponto de vista estamos tudo menos desesperados. Venham de lá os bons argumentos e a discussão inteligente... Quinta-feira, Dezembro 04, 2003
Novidade: O Gato Preto é um blog de um jovem urbano-depressivo com um template que me deixa roído de inveja. Fim, Que Tudo O Que É Demais Cansa: Caro JPN: Não vejo quando te ataquei pela tua opinião, apenas esclareci algumas interpretações erróneas que fizeste porque assim te convinham. Não acredito que o aborto seja um mal menor, principalmente existindo uma opção viável que é a adopção. Direito de resposta: Caro Câmara, Antes de mais, devo-te relembrar que nunca tive intenção de te impôr a minha opinião, muito pelo contrário. Fiz, como já disse antes, um statement. Tu ao invés, atacas-me pela a minha opinião quando acho que terias feito melhor em ter simplesmente exposto a tua. Por isso, vou pela última vez escrever um post para ti a explicar apenas um ponto do teu texto. Quanto aos outros pontos será melhor não dizer nada. Neste segundo post já consideras o feto um ser humano. Nada a dizer. É óbvio que quem o considerar um ser humano terá também de considerar o aborto um crime (não vou falar da tua comparação a homícidio). Dizes em seguida que a implementação de medidas diminuidoras do aborto em simultâneo com a legalização do mesmo será ou uma contradição, ou uma redundância. Não vejo porque terá de ser apenas uma das duas. Não considero o aborto uma coisa boa. Considero-o um mal menor. Logo, acho que, mesmo sendo legal, a taxa de abortos deve ser a mínima possível. Como tal, é importante que se implementem mais medidas diminuidoras do aborto. Se se implementar simplesmente as medidas diminuidoras continuará a haver aborto. Se só se legalizasse o aborto a taxa de abortos aumentaria. Logo, é para mim lógico que as duas medidas que se complementam e não, como tu dizes, se antagonizam. Um abraço Mail: D’O Projecto recebemos o seguinte: Caros Complotistas, A vossa discussão sobre o aborto está (duvido que tenha acabado) a ser muito clara. Já a recomendei, vale a pena ler. Acho que o JPN está a cometer um enorme equívoco. Aborda a questão de uma forma excessivamente pragmática, como se fosse apenas um problema social ou político, «se acharem que estão a tirar a vida a um ser humano não o fazem. Se não acharem, fazem-no. Mas essa escolha deve ser dada». Elucidativo. A questão é profunda. Tem a ver com a natureza humana, a nossa natureza. Por isso é um assunto tão caro à Igreja, à religião. Situa-se nos limites da ética científica. Resta saber se dentro se fora. Acho que está fora. Pensemos na idade até à qual o aborto pode ser permitido. Fala-se em 12 semanas. Porquê? Porque não 24? Ou 6? Ninguém sabe responder. O problema está aqui. Cíentificamente é impossível determinar a linha de separação. É um assunto muito delicado. Vi, como a maior parte de nós, aquela fotografia que correu a internet. Mostrava a mão de feto a segurar o dedo enorme do cirurgião, durante uma intervenção cirúrgica ao útero da mãe. Tinha 12 semanas, exactamente a idade apontada como limite. O bebé nasceu, é hoje uma criança saudável. Caro JPN, já viste fotografias do resultado de abortos legais de outros países? Viste o cenário de profundo horror dado pelos pequenos membros separadamente depositados em contentores? Já te explicaram como se faz um aborto? Quais as diversas técnicas? Qual a sua estratégia de ataque? Eu já vi. Digo-te que é muito difícil de engolir. Um abraço Ferrugem: «O Governo português não pode ser ortodoxo em relação ao PEC internamente e depois ter uma posição diferente no plano europeu. Tem de haver coerência» - Ferro (in PS). O que Ferro se esquece é que Portugal não é igual à Alemanha e à França. Ao libertarmos estes dois países temporariamente do PEC estamos a permitir que a EU se torne mais competitiva no mercado mundial e a ajudá-la a sair da crise, convém não esquecer que o motor da economia europeia é franco-germânico, mantendo a inflação controlada. Portugal não concorre tão directamente (se é que concorre) com países como os Estados Unidos ou a China. Será que o camarada se esqueceu do bem comum europeu? Comentários ao Aborto: O comentário de LC ao post do JPN merece ser elevado a post, by the way os nossos comentário andam a funcionar mal. O mais giro é que todos querem liberdade, pois eu acho que muita gente não merece a liberdade que tem, acho que liberdade sem responsabilidade (o que se cultiva em Portugal), nunca trouxe nada de bom. Sou contra o aborto, mas sou principalmente contra dar essa liberdade a pessoas que a abusariam e que acabariam por a encarar como um método contraceptivo. A ignorância não é desculpa para não cumprir a lei, o mesmo é dizer que a pessoa tem de sofrer as consequências dos seus actos quer os tenha feito por estupidez ou por maldade, não vejo porque vê as que abortam como algumas coitadinhas, são umas fracas que não têm capacidade de sofrer as consequências dos seus actos, nem por 9 meses após os quais poderiam dar a criança para adopção. Não tenho pena nenhuma delas, tenho é pena das vidas que tiveram o azar de nascer no ventre de uma mulher que nem por 9 meses admitia suportá-los (como se esses 9 meses lhes fossem arruinar a vida). Aliás a grande hipocrisia dos que defendem o aborto é propagandear que estão a salvar estas mulheres de uma vida de desgraça e miséria. NADA DISSO! A unica coisa que eles fazem é diminuir os os meses(para menos que 9) que a mulher tem de suportar o "horrivel" fardo de ter uma vida dentro dela. Acho que nem vale a pena dizer mais nada. |